SEME reúne especialistas para a formulação do Planejamento Estratégico das políticas de esporte e lazer

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Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SEME) reuniu nesta segunda-feira (15) especialistas de vários setores direta e indiretamente ligado ao esporte para a elaboração do Planejamento Estratégico 2021/2024.

Os participantes do seminário fizeram uma avaliação do cenário atual das políticas públicas que envolvem o esporte em São Paulo e as experiências de outras cidades e países.

Os principais temas foram o esporte como inclusão social, atividade econômica e ação preventiva de saúde.

O secretário de Esportes e Lazer, Thiago Milhim, disse na abertura do evento que São Paulo, pela força econômica e por ser uma cidade de 12 milhões de habitantes, deve ter um papel de protagonista no esporte, tanto em política pública quanto em grandes eventos.

“Como gestores públicos temos que desenvolver programas que atendam os interesses coletivos, mas também pensar em resultados a partir do investimento público. São Paulo tem que ser referência no país na prática esportiva”, afirmou Milhim.

Iniciativa

O diretor do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria do Esporte da Fiesp, Mário Eugênio Frugiuele, destacou o ineditismo da iniciativa da SEME em realizar um seminário para a elaboração de um planejamento estratégico. Ele disse que a Federação das Indústrias está pronta para trabalhar em parceria com a SEME.

“Podemos estar juntos em vários projetos, fazer de São Paulo uma cidade referência nos esportes. Tenho certeza que esse seminário é um grande passo para projetos inovadores”.

Mauro Chekin, especialista em gestão esportiva, disse que a elaboração do Planejamento Estratégico 2021/2024 por parte da SEME será fundamental para a manutenção de uma política pública de esportes em São Paulo.

Inclusão social e esporte de alto nível

Medalhista olímpico e campeão mundial de judô, o diretor do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), Tiago Camilo, disse que o esporte é uma ferramenta eficaz para transformar a vida de crianças e famílias carentes, desde que ações nesse sentido tenham o apoio do poder público para serem permanentes e desenvolvidas de forma integrada.

“Temos que usar o esporte como isca para levar a criança para a escola e nos aproximarmos das famílias. Juntarmos criança, escola, professor e família. É a partir daí que vamos formar cidadãos e depois pensarmos na formação de atletas de alto nível”, disse Tiago Camilo.

Para o presidente da Confederação Brasileira de Desporto Escolar, Luiz Carlos Delphino, o Brasil tem muito a crescer nessa área na cidade de São Paulo, mas já obtém resultados significativos.

“Na capital, temos mais de um milhão de alunos, mas envolvidos nas competições escolares apenas 400 mil. Mesmo assim, conseguimos ótimos resultados. Precisamos de parcerias para realizar campeonatos, envolvermos a criançada. As cidades do interior têm ótimos exemplos”, ressaltou Delphino.

O diretor Técnico do Núcleo de Alto Rendimento Esportivo de São Paulo (NAR), Irineu Loturco, destacou a importância da iniciativa privada em parceria com o poder público na formação de atletas de alto nível. O NAR, patrocinado pelo Instituto Península, fica no Centro Esportivo Santo Amaro, na zona sul, e forma atletas de destaque no cenário nacional.

Loturco afirmou que para formar atletas de alto nível é preciso fazer com que mais crianças e jovens se interessem pela prática de esportes, por isso a importância dos equipamentos públicos.

“São Paulo tem uma quantidade enorme de equipamentos esportivos, mas que precisam ser recuperados. Se tivermos bons locais para a iniciação esportiva, vamos aumentar o número de crianças interessadas em praticar esportes.

Para Irineu Loturco, São Paulo tem na diversidade o grande diferencial na formação de atletas.

“A principal força para o desenvolvimento do esporte em São Paulo é a diversidade dos nossos diferentes povos com nossa enorme variação genética, além das questões culturais e econômicas”.

Parcerias

Roberto Lobardi, representante do Sindi Clube, disse que são muitas as possibilidades de parcerias entre a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer e os clubes privados. Ele citou como exemplo o projeto Touché, no Centro Esportivo Lapa, que oferece aulas gratuitas de esgrima para crianças.

Flávio Henrique Silva, presidente do Instituto Reciclesporte, destacou o papel do terceiro setor na periferia de São Paulo em benefício do esporte e pediu apoio dos órgãos públicos responsáveis pelas questões burocráticas.

“As entidades sociais que atuam no esporte chegam onde o Estado não consegue. São elas que montam o campinho na periferia, fazem a gestão, mas têm dificuldade em se legalizar, e com isso não conseguem os recursos”.

Já o gestor de eventos esportivos Vicente Antonio de Cala Neto, responsável pela organização de campeonatos de várzea tradicionais em São Paulo, destacou o papel dos Clubes da Comunidade (CDCs) para o futebol amador na capital.

“A SEME deve pensar num programa de adoção dos CDCs por meio de parcerias com a iniciativa privada, para que esses espaços importantes sejam mais bem aproveitados para a prática do futebol amador.”

Representando as universidades, o coordenador de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, Georgios Hatzdakis, disse ser fundamental que a SEME e as faculdades de educação física firmem uma parceria para que futuros professores do curso deem o primeiro passo na profissão. “Quem está na faculdade tem muita dificuldade em arrumar um estágio, iniciar na profissão. Os Centros Esportivos da SEME são espaços maravilhosos, se forem melhorados, além de servir a população, poderão ajudar as faculdades na formação dos alunos de educação física”.

Esporte e saúde

Referência mundial em cirurgia no joelho, o professor titular do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp, Moisés Cohen, falou da necessidade da formulação e desenvolvimento de políticas públicas que incentivem a população a praticar esportes.

“Cada 1 dólar investido no esporte representa uma economia de 5 a 6 dólares na saúde. Por isso a necessidade de programas intersecretariais. A SEME e a Secretaria da Saúde devem trabalhar em conjunto. São várias as iniciativas que podem ser feitas sem gastar muito que vão resultar em benefícios para a população e economia para os cofres públicos”, disse Cohen.

Ele também afirmou que os danos à saúde da população provocados pela pandemia do novo coronavírus reforçam ainda mais a importância da atividade física por causa do aumento do sedentarismo e sequelas nas pessoas que enfrentaram a doença.

Moisés Cohen também falou da parceria da parceria entre a Unifesp e o Centro Olímpico para a recuperação de atletas lesionados.
Paradesporto

O Brasil é reconhecido como potência paralímpica e tem em São Paulo a sede do Comitê Paralímpico Brasileiro, com um centro de treinamento que é referência mundial. A SEME também trabalha para ser mais inclusiva com atividades oferecidas nos Centros Esportivos. Os equipamentos também são usados para treinamento dos atletas, como no caso dos CEs Mooca e Jardim São Paulo.

Os educadores físicos Cristina Heitzman e Roberto Carlos de Cunto disseram que dos equipamentos esportivos da Prefeitura de São Paulo já saíram muitos campeões do paradesporto. Eles disseram que os resultados podem ser melhores com mais locais de treinamento e capacitação de professores.

Corridas de Rua e marketing

A cidade de São Paulo já teve antes da pandemia do novo coronavírus cerca 200 corridas de rua por ano. É conhecida como capital mundial das corridas de rua, tem ainda muito espaço para crescer, mas precisa eliminar uma série de entraves. A opinião é do presidente da Associação Brasileira dos Organizadores de Corridas de Rua, Paulo Carelli, e da gerente de Marketing da New Balance, Mariana Pires.

“As corridas de rua promovem a saúde pública e movimentam a economia com a geração de empregos diretos na realização dos eventos e nos setores do comércio, turismo e gastronomia”, disse Carelli. Ele afirma, no entanto, que a realização das corridas têm um alto custo e o poder público deveria rever a cobrança de taxas. Já Mariana Pires defende uma revisão na legislação que trata da realização de eventos esportivos em locais públicos para que as empresas possam fazer campanhas de ativação de suas marcas.

Para o executivo de marketing esportivo Felipe Formiga, as parcerias entre empresas e o poder público no esporte também precisam levar em conta o resultado.

“As empresas que investem no esporte precisam de visibilidade sobre o retorno a médio e longo prazo e o potencial de consolidação de suas iniciativas. Segurança e previsibilidade são fundamentais”.

O diretor de Negócios do Grupo Aste, Bruno Abiel, disse que hoje o atleta de alto nível também deve buscar a performance além de suas marcas nas quadras. Ele disse que o cuidado com a imagem e a administração das redes sociais estão sendo cada vez mais levadas em conta pelas empresas quando decidem patrocinar um atleta.

E-Sports

A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SEME) também tem em seus planos a elaboração de projetos voltados para o e-Sports. O fundador da BBL, empresa de entretenimento focada em jogos eletrônicos, Thomas Felberg, falou da parceria fechada com a concessionária Allegra para a construção no Pacaembu da maior arena de e-Sports do mundo, num investimento de R$ 95 milhões.

Conclusão

A partir das informações colhidas e experiências adquiridas no seminário, a SEME irá montar grupos de trabalho para a formulação do Planejamento Estratégico 2021/2024.

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