Lição de vida e de superação, assim destacamos o ultra maratonista Robson Douglas

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O ultra maratonista Robson Douglas da Conceição teve uma infância dividida entre a vida na rua, uso de drogas e internação na Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (FEBEM), até chegar a ser um dos integrantes da chacina da candelária no dia 23 de julho de 1993, onde cerca de 50 menores em situação de rua dormiam nas imediações da Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, quando homens armados surpreenderam os menores, matando sete deles. 

Robson, saiu do Rio de janeiro em abril em 1994, e veio para São Paulo e foi para a Praça da Sé.  Mas, não gostava de ficar lá, pois “os meninos faziam maldades, roubavam correntes, bolsas e eu não queria fazer essas coisas”, disse. Passou pela cracolândia, porém com a vida na rua acabou sendo pego e foi parar na FEBEM Imigrantes no Jabaquara. 

Sua história é marcada por desafios, fugiu da FEBEM por duas vezes, em uma delas estava em uma praça na Vila Campestre, quando um senhor “chegou do meu lado e perguntou o que estava fazendo ali”, relatou. O senhor que o abordou era Arnaldo Faria de Sá que “me pagou um leite quente e dois sonhos, e ainda solicitou para uma pessoa arrumar um cobertor e um lugar para eu dormir, e nesse dia eu dormi muito bem” disse Robson. 

Segundo ele, como era “ligeirinho” começou fazer viagens para o Paraguay e acabou ficando no país onde já se encontra há 27 anos. “Sou analfabeto, mas sei falar 3 idiomas e aprendi a ler e escrever com a minha filha I.V.C. que tem 10 anos e já é maratonista desde os 5 anos. Eu até gostava desta unidade apesar de ter passado por outras. Aqui a comida era boa, ganhávamos roupas e até passeio, acho que fomos para o zoológico, lembro que era um parque bem grande”, afirmou Robson.

Fixando-se em Foz do Iguaçu, fronteira com a cidade do leste do Paraguai, conseguiu apoio e encontrou no esporte uma nova vida. Tornou-se um ultra maratonista reconhecido nacional e internacionalmente. Foi tri campeão da maratona de Assunção, medalhista jovem Sul Americana (prata e bronze),  participou da Maratona Internacional de São Paulo, 2ª Fin Del Mundo Marathon Patagônia, na Argentina, Comrades Marathon Route Map, África do Sul e a Prova de 24 horas, quando foi reconhecido como o único ultramaratonista do oeste paranaense. 

Dentre as principais conquistas, está o recorde estadual em esteira, com 320 km percorridos. Outro feito de Robson Douglas,  foi correr 162 quilômetros durante 16 horas. O desempenho do corredor foi certificado pela Câmara Júnior de Foz do Iguaçu, com direito a um fiscal, que controlou o tempo e percurso feito numa esteira.

Passagem pelo Jabaquara

Em sua passagem por São Paulo, o ultra maratonista Robson Douglas  conviveu por 10 anos, na região da Vila Campestre, no Jabaquara, possuindo  gratidão pela região, como ele mesmo relata “não nasci no bairro mas fui acolhido após minha passagem pela FEBEM”.

O atleta que já fez um evento de 100 horas de esteira, veio para São Paulo para se preparar para fazer um feito maior, 200 horas de Esteira Solidária pelo estado.  O objetivo da Esteira Solidária, é apoiar e incentivar os jovens que moram em áreas de risco e toda a comunidade, seja na arrecadação identificada da necessidade do local, como por exemplos: alimentos, roupas, fraudas, dentre outros.

 “Para mim, mais importante do que dinheiro é receber o reconhecimento pelas cidades onde passo”. Essas ações muitas vezes servem de inspiração, para que o jovem saiba que se alguém que saiu do mesmo local que eu, conseguiu conquistar algo, ele também pode, basta jamais desistir dos seus sonhos”, disse o atleta em incentivo aos jovens das comunidades, que muitas vezes sentem-se inferiorizado em relação a outros jovens.

Robson Douglas incentiva seus 6 filhos, 4 noras, e seus 6 netos a serem maratonistas. Sua caçula Iza Vitória, já faz parte do time de campeãs com apenas 10 anos e já subiu algumas vezes ao pódio. Após ser bi-campeã Paraguaia, ela não parou mais de ser convidada, só em São Paulo já participou  duas vezes da São Silvestrinha e espera as próximas oportunidades.

Na segunda feira (16), a diretora da Editora Juma Rosa Maria Gomes, em contato com o diretor do CIC (Casa da Cidadania Jabaquara), Carlos Eduardo Nascimento levou Robson Douglas e sua filha para uma visita no local onde viveu por alguns momentos da sua vida e teve a oportunidade de renovar seu RG e da sua filha.

“Estou muito emocionado e passa várias lembranças em minha cabeça, amigos bons do bem e alguns que eu não quis seguir seus passos”.  Na mesma ocasião mais um fato emocionante para o maratonista, uma homenagem daquele homem, que o ajudou lá atrás – Arnaldo Faria de Sá – que um dia o agasalhou. A próxima maratona do bem será em Jandira e nas imediações. 

“Eu me preparei desde ontem para vir aqui, eu não gosto de viver maus momentos, então eu costumo acreditar nos bons momentos e me preparei porque eu perdi amigos aqui, corredores assim sempre me deu um pouco de receio, mas, eu não costumo viver isso.  Conversei muito com meus filhos, sabia que ia encontrar um lugar diferente, eu que tive aqui, então eu sei o que eu vivi, não vou dizer que foi coisa ruim para mim, mas eu vi outras pessoas vivendo coisas ruins. Eu perdi amigos, estar aqui hoje, me traz algo de bem. É gratificante, estar aqui hoje e recebendo esse atendimento carinhoso e homenagem é gratificante”.

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