Inspiradas em histórias de pacientes com câncer de mama, esculturas marcam intervenção urbana

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Em 2010 quando a odontopediatra Louise Liu Rigo Vargas de Oliveira recebeu o diagnóstico de câncer de mama não imaginava que 10 anos depois ainda estaria com a doença. Sua história de uma década de superação, e a de outras pacientes, serão compartilhadas na exposição “Inspiração Pink” que, ao lado do projeto Artemisa, ambos executados via Lei de Incentivo à Cultura, levam a oito cidades do país 25 esculturas de torsos que representam mulheres e um homem em tratamento. A exposição faz parte da programação do Coletivo Pink, iniciativa da Pfizer em parceria com as principais associações de pacientes no país. Tem como objetivo levar informação de qualidade sobre câncer de mama para a sociedade, romper paradigmas e acolher pacientes que vivem com metástase.

“A pandemia nos trouxe a oportunidade de inovar, por isso escolhemos os projetos que nos possibilitaram realizar, sem aglomeração, intervenções urbanas e conexões virtuais. Unimos na exposição vozes e histórias de mulheres, e de um homem, e ampliamos o alcance do Coletivo Pink no Brasil. Neste formato, também asseguramos a divulgação de informação de qualidade, em especial, sobre o câncer de mama metastático, além de sensibilizarmos a sociedade para a importância da prevenção e da vida”, explica Cristina Santos, diretora de comunicação da Pfizer.

Com 1,70 m de altura, as esculturas se destacarão nas ruas, em estações de trem e metrô das cidades de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Porto Alegre, Recife, Belém e Brasília, onde serão instaladas e ficarão expostas no mês de outubro. As intervenções artísticas nos torsos foram criadas por 15 artistas plásticos que se inspiraram em cada paciente, de acordo com suas particularidades e histórias. São elas: Nina Pandolfo, Rizza, Ju Violeta, Patrícia Carparelli, Clara Leff, Minhau, Stella Nanni, Linoca, Pri Barbosa, Rafa Mon, Stefany Lima, Leticia Maia, Erika Chichkanoff

Associação Laramara, coletivo de artistas com deficiência visual, e Didu Losso, curador da exposição, ao lado de Camila Alves, que também assina a mostra.

Uma das esculturas, por exemplo, utilizou borboletas, pois simbolizam o processo de transformação que a paciente vivencia. Em outra, a paciente se reconhece como um girassol, sua flor favorita, a flor do sol, que simboliza energia e vitalidade.  Já no caso do paciente Paracelso Alves Vieira Júnior, a escultura ganhou tons “palmeirenses” em razão de sua predileção pelo time paulista. Para conhecer a história de cada paciente, basta que o celular seja direcionado para o QR Code disposto nas esculturas ou acessar o site www.coletivopink.com.br.

“Os torsos são esculturas clássicas eternas e se conectam com vida e longevidade. A arte ajuda a criar empatia e mobilizar as pessoas”, conta Didu. Ele sabe o quanto a empatia é necessária quando se tem a doença porque já foi diagnosticado com câncer de pele.  Quem anda conectado com ele nesta missão é o produtor cultural Igor Cayres que traz a segunda edição do projeto Artemisa. No ano passado, criou a exposição de fotos artísticas de mulheres em tratamento, realizada na Casa das Rosas. Neste ano, em parceria com o Inspiração, Igor é o responsável por levar o Coletivo Pink mundo afora por meio de canais virtuais, como mídias sociais, website e pelo Google Arts & Culture, plataforma que reúne as grandes exposições do planeta. Igor é o primeiro produtor cultural brasileiro a conseguir este espaço na concorrida plataforma do Google. 

O Artemisa é uma homenagem à mãe, Beth Cayres, famosa produtora cultural, que faleceu no ano passado, apenas quatro meses após receber o diagnóstico. “Minha mãe continuou trabalhando e demonstrando sua força e é inspiração para mim e um compromisso que assumi com a causa; levar por meio da cultura a beleza e a transformação das pacientes para sensibilizar a sociedade”, explica.

Quem estiver observando qualquer um dos 25 torsos poderá visualizar as outras esculturas no mesmo momento, bastando direcionar seu celular para o QR Code que o levará à exposição virtual completa.

ESPECIAL SÃO PAULO

A cidade de São Paulo recebe treze das obras e estarão distribuídas nos seguintes locais:

Praça da Casa das Rosas –  Avenida Paulista, em frente ao shopping Cidade SP – Dentro da estação de metrô Clínicas – Dentro da estação de metrô Liberdade – Passarela metrô – Shopping Tatuapé – Dentro da Estação Tamanduateí CPTM – Dentro da Estação Grajaú CPTM – Avenida Ibirapuera, 2324 (em frente Ed. Torres do Ibirapuera) – Av. Brig. Luís Antônio, 4700 (em frente ao Hotel Unique) – Dentro da Estação Barra Funda CPTM

De acordo com o INCA, o estigma social do câncer é um assunto que precisa ser mais discutido no contexto nacional, porque afeta pacientes, familiares e amigos e pode dificultar o enfrentamento da doença. “De início a gente só se lembra dos exemplos negativos, quanto tempo eu tenho, enquanto as pessoas estão te olhando como se você carregasse uma sentença. Não perguntam, elas falam e as palavras machucam. Ali bastava um abraço. O que mais cuida é ter tantos amigos e amigas querendo me fazer sorrir, uma verdadeira roda de amor que me dá a determinação, a garra e a coragem que nem eu sabia que tinha. Não dá para romantizar a situação, mas o câncer tem sido um professor. A gente se pensa invencível, mas começa a perceber que é uma linha tênue que separa a vida da morte. E na vida, o tempo, que é o que temos de concreto. O que temos feito dele? Sou muito ansiosa e busco respostas o tempo todo. Não saber me dá insegurança. Mas eu vivia muito no futuro, acordando quatro da manhã para estudar, levando os filhos na escola e voltando a estudar. Eu deixei de viver o presente sem saber se teria futuro. Que bom que descobri a tempo”, revela Roberta Colodette, professora e gestora de RH.

COLETIVO PINK

Em sua terceira edição, a programação do Coletivo Pink inclui também a realização de dez atividades ao longo do mês, no que foi chamado de Sofá Pink. Serão encontros online que reunirão especialistas e pacientes. Totalmente gratuito, trarão temas diferentes a cada semana de outubro. Entre eles, a importância da vacinação para pacientes com câncer, sexualidade, empreendedorismo, maternidade e o papel da família na rede de apoio à mulher com câncer. O Sofá Pink trará histórias inspiradoras e informações de qualidade sobre a doença, visando o fortalecimento do feminino.

As associações de pacientes oncológicos  parceiras do projeto são:  Instituto Oncoguia, Instituto Vencer o Câncer (IVOC), Amor e União Contra o Câncer (AMUCC), Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama), Todos Juntos contra o Câncer (TJCC) e Além da cura e a Casa Paliativa.

Para programação completa do Coletivo Pink visite www.coletivopink.com.br

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