Inclusão social e acessibilidade

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Para cada deficiência existe uma acessibilidade específica, por exemplo, o braile para os cegos, calçadas e rampas para os cadeirantes, a Libras é o maior diferencial para a comunicação entre os surdos e ouvintes.

Vinícius Schaefer, 36 anos, nasceu no Hospital Santa Marina, Jabaquara. Aos dois meses, sua mãe Gloria Alves Schaefer, descobriu que ele era surdo, desde então muita luta, principalmente na questão educacional, “foi muito difícil devido a falta de comunicação, porque os professores e as escolas não estão preparados para receberem alunos surdos” comenta.

A primeira língua do surdo é a Libras – Língua Brasileira de Sinais que deveria ser uma disciplina obrigatória nas escolas, assim como o inglês, francês etc.

As áreas da saúde, educação, cultura e esporte são as que mais necessitam de atenção no quesito informação. Um exemplo, nas aulas de educação física. Como o aluno com deficiência auditiva irá compreender as instruções sem a transmissão, por mais básica que seja, da língua de sinais? São poucos os professores com conhecimento dos sinais.

Não se pode afirmar que existe inclusão quando numa aula um aluno surdo simplesmente acompanhe as atividades dos colegas sem compreender as instruções. O mesmo se aplica às demais aulas, em todas as áreas. Na cultura, numa peça teatral por exemplo, quantas são preparadas para receber o público não ouvinte?

Acompanhe alguns fatos vividos por Vinícius Schaefer que ilustram bem as situações de constrangimento e até de risco quando estão presentes as dúvidas e a desinformação na relação entre ouvintes e surdos.

“Certa vez, ao parar para abastecer o carro, o frentista veio atender e não entendeu que os gestos e sinais feitos eram relacionados ao fato de eu não ser surdo oralizado”. Imaginem, a situação constrangedora para ambos nesse momento. Segundo Vinícius este é um caso ainda sem maiores consequências. Os mais graves, sem dúvida, ocorrem numa consulta médica onde médicos e enfermeiros não consigam estabelecer o mínimo de comunicação, principalmente compreender os sinais transmitidos pelo surdo explicando o que está sentindo. Se os profissionais não tiverem conhecimento dos sinais, os mais básicos que sejam, e o paciente não estiver acompanhado de um intérprete ou de parentes próximos que possam intermediar, um diagnóstico errado poderá ocorrer. “Senti isso na pele uma vez que fui ao médico sozinho. Estava com vinte anos de idade e me incomodava uma dor que sentia na garganta. O médico entendeu que era apenas uma dor e não fez um exame mais profundo, deu uma injeção e me liberou.

Horas depois fui ao supermercado, e depois de carregar sacolas muito pesadas, o pior aconteceu. O que havia na garganta não era uma simples dor, era caxumba. Nem preciso dizer para onde ela foi, não é?” E continuou. “Assim como ainda não posso assistir um filme nacional no cinema, por exemplo, fico limitado aos filmes legendados. E mesmo agora, que existe uma lei que exige a legenda para filmes nacionais, ainda não vemos isso de fato nas sessões de cinema”.

Estes exemplos reforçam a extrema importância de lutar pela continuidade e aprimoramento da comunicação entre ouvintes e não ouvintes, por mais que tenhamos obtido conquistas nos últimos anos.

Libras

Diferente do que aconteceu com a Língua Portuguesa, que tem como língua mãe o português de Portugal, a Libras é de origem francesa, tendo como língua mãe a Língua Francesa de Sinais. Foi em 1857 que, a pedido de Dom Pedro II, o conde francês Hernest Huet, que era surdo, veio ao Brasil com a missão de abrir a primeira escola para surdos do País. Os surdos daqui que já possuíam alguns sinais para se comunicar, incorporaram à sua Língua os sinais da Língua Francesa de Sinais, dando origem a Libras.
É sempre importante relembrar que a Libras é uma língua viva como qualquer outra e está todo o tempo mudando, melhorando e incorporando novos sinais.

Vinícius Schaefer é formado em Administração de Empresa, Pedagogia, Pós Graduado em Libras e fez MBA em Gestão Pública.

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