Creches em área de vulnerabilidade estimulam pais a serem contadores de histórias para os filhos

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Ao lado da pequena Luana, de 3 anos, Luciana Alves inventa uma voz para dar mais vida à história que está sendo contada para a filha. “Ela se diverte e mesmo com o livro em mãos acabo inventando outras histórias”, disse.

Segundo a mãe, além de estar ajudando no desenvolvimento da fala na filha, o ato de ler para Luana também faz ela se sentir bem. “Com o meu outro filho, que já é adolescente, não tinha esse hábito”, lamenta.

Mesmo com a interrupção das aulas presenciais por conta do novo coronavírus, o trabalho desenvolvido em quatro Centros de Educação Infantil (CEIs), na zona Leste, têm promovido estímulos aos pais no processo de leitura aos filhos.

Responsáveis pelos cuidados e educação de 650 crianças de zero a três anos, os CEIs Lageado, Jardim São Jorge, Jardim Eliane e Santa Rita estão localizados em uma das regiões de maior vulnerabilidade social do município, impactadas também pela pandemia.

A estratégia das unidades para inserir às famílias nas propostas pedagógicas está na demonstração dos benefícios da leitura, além da disponibilização de livros infantis e materiais para as crianças por meio do projeto “Cada livro uma história, cada história uma viagem!”.

No mês de outubro, mais de 600 livros foram entregues às famílias das crianças pelos profissionais dos CEIs, que atuam pela Pró-Saúde, uma das maiores entidades filantrópicas do país e gestora das unidades.

“A escola possui o seu papel com o cuidado e o ensino, mas a família é a base da educação. Para as crianças, os livros possuem um aspecto sensitivo, de contato e cheiro. São diferentes benefícios envolvendo a linguagem, criatividade e descoberta do mundo imaginário”, destaca a coordenadora do CEI Lageado, Natalia Gomosguete.

Aumento dos laços afetivos

A construção de memórias e do vínculo afetivo é outro ponto pedagógico no projeto dos CEIs. Desse modo, os pais também são estimulados a relatarem esses momentos de maior interação junto aos filhos.

“As próprias famílias contam as suas experiências e compartilham como têm sido a leitura com os filhos em plataformas virtuais que utilizamos. É muito gratificante receber o retorno e ver como as famílias realmente estão participando”, comenta Natalia.

Para Regina Victorino, gerente de Filantropia da Pró-Saúde, o trabalho desenvolvido nos CEIs é fundamental por permitir uma evolução social, ajudando a formar cidadãos mais conscientes sobre a sua presença no mundo.

“Os benefícios são para a vida toda e podem desempenhar um importante papel no incentivo a novos conhecimentos, construindo um futuro ainda mais positivo para todos”, ressalta.

Em estudo divulgado neste ano pela Retratos da Leitura no Brasil, em todo o país existem cerca de 100 milhões de leitores (52% da população). A pesquisa, divulgada neste ano, apresenta uma queda em torno de 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019.

Um levantamento realizado pelo Instituto Pró-Livro (IPL), Itaú Cultural e IBOPE Inteligência, revela que os leitores têm usado o tempo de lazer para assistir filmes ou vídeos em casa, além de escutar música e usar a Internet e redes sociais.

“Também verificamos uma queda no percentual de leitores na população de 11 a 17 anos – sendo que nas três últimas edições eles se mantiveram em um patamar parecido”, comenta a coordenadora da pesquisa, Zoara Failla, em entrevista sobre o estudo.

Ao menos, para a pequena Luana, os livros ainda são mais divertidos. “Não tem mais horário para ler histórias, e se tornou algo diário. Acordou de manhã e já pede para ler. Ela fica bem feliz, gosta bastante de figuras e usa a imaginação dela para contar historinhas para as primas”, conta a mãe Luciana.

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