As comemorações dos 76 anos do bairro Cidade Ademar encerrou no domingo dia 26. Mas a história começa no século passado

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A história começa ainda no final do século 19, pois a região era um conglomerado de sítios e fazendas pertencentes ao município de Santo Amaro, que administrou todas estas terras por quase 100 anos, de 1832 a 1935. Um dos principais sítios da região era denominado Sítio Cupecê, que abrangia quase toda a área da Cidade Ademar e ainda um pedaço da região próximo ao cemitério Campo Grande e tendo como divisa o “majestoso” Ribeirão Cupecê, atual Córrego do Cordeiro. Desta forma, o desenvolvimento dessas terras aconteciam no sentido Largo 13 de Maio (centro de Santo Amaro) não em direção á São Paulo, por isso, até hoje constam algumas confusões nas numerações de algumas ruas, pois nasceram tendo como referência o município de Santo Amaro.

Região viveu época de Ouro das Olarias 

De acordo com a pesquisadora Adriane de Freitas Acosta Baldin, em seu trabalho “Tijolo à vista – as olarias na cidade de São Paulo na década de 1850/60” era uma das principais atividades das fazendas locais, ou seja, grande parte das fazendas ou sítios da região estava empenhada nas olarias (fabricação de telhas e tijolos), pois até 1850, São Paulo era uma cidade tradicionalmente construída em barro socado. Por certo, houve reserva com relação à mudança do método construtivo, por parte da população, acostumada aos edifícios centenários de taipa. O município de Santo Amaro incentivava este progresso com a produção destes materiais, que era um grande avanço no final do século 19, e possivelmente ainda com mão de obra escrava.

Abandono e leilões 

Entretanto, o setor começou entrar em decadência no inicio do século XX. Em uma breve pesquisa nos principais jornais da época é possível localizar dezenas de sítios ou fazendas de olarias sendo vendidas ou leiloadas, talvez pelo excesso de produção ou mesmo com a decadência do setor. Isto teve impacto direto nas fazendas locais que começaram a leiloar suas terras com preços bem abaixo do mercado e muitos ainda as abandonaram e percebem-se por meio dos Diários Oficiais, dezenas de leilões e pedidos de “Uso Capião” de terras e lotes da região que estavam abandonados, já que a prefeitura de Santo Amaro não tinha como fiscalizar uma área tão grande, pois a região ainda tinha matas fechadas.

Delimitação da área aconteceu em 1901 e teve como referência o Ribeirão Cupecê (Córrego do Cordeiro)

De acordo com os documentos oficiais do Estado de São Paulo e o Diário oficial de fevereiro 1901, a delimitação do município de Santo Amaro delimitou toda a área  por consequente a região onde seria a atual Cidade Ademar. Como referência, o Ribeirão Cupecê (Córrego do Cordeiro) que cortava todas as fazendas da região até o Rio Pinheiros, como consta em edital.

A redação do projeto 57 de 1900 da comarca da Câmara dos deputados, a comissão de redação oferece redigido pela seguinte forma: conforme o vencido em última discussão no senado o projeto seguinte o Congresso Legislativo de São Paulo decreta artigo 1, as divisas do município da capital são as seguintes: com o município de Santo Amaro pelo alto do espigão que limita pelo lado esquerdo do Rio Ipiranga os vales deste Rio e do Ribeirão do Cupecê,  deste o ponto mais alto do Serrote que fica fronteiro à cabeceira do Rio Ipiranga e hoje termina a linha divisória entre os municípios de São Bernardo (Vila Conceição – Diadema) e Santo Amaro até a cabeceira do galho, mas sempre tem tribunal do Ribeirão da traição passando pela estação do encontro da linha férrea de Santo Amaro, que fica pertencendo ao município da capital e por este galho e pelo referido Ribeirão da traição abaixo até a sua voz no Rio dos Pinheiros neste ponto por uma cerca até o ponto mais alto do morro do Jaguaré no espigão que divide as águas dos rios Carapicuíba e Jaguaré qual o município de Cotia por uma reta que usa o ponto mais alto do morro do Jaguaré no espigão que divide as águas dos rios Carapicuíba e Jaguaré onde termina a linha divisória com o município de Santo Amaro após do primeiro carro o córrego Cris água no Tietê pela margem direita acima da Barra do Rio Carapicuíba

Loteamentos sem planejamentos condenaram a região à marginalização

A partir de 1935 quando Santo Amaro deixou de ser município e a região agora contava com as possíveis verbas da capital para melhorias locais, a região não foi mais a mesma. Dezenas de sítios foram leiloadas e arrematadas por investidores que não possuíam nenhuma identidade com o local e o pior, lotearam toda a região sem nenhum planejamento e da pior forma possível, pois não eram “terras novas” na concepção dos políticos paulistanos da época, pois pertencia a outra cidade e quando pertencia a Santo Amaro, estava mais próxima do centro da cidade, que era o Largo 13. Ao pertencer a São Paulo a região passou a ser uma das mais periféricas de São Paulo devido a sua distância tanto geograficamente, quanto economicamente.

Um exemplo foi à desconsideração histórica do Bairro do Cupecê, que hoje é uma região bem menor, o Jardim Cupecê (em tupi significa “língua partida”, ou também, segundo o dicionarista Teodoro Sampaio, co-pecê, “roça dividida”), assim como o Ribeirão Cupecê, que perdeu o status e foi rebaixado a córrego, o então atual “Córrego do Cordeiro”. E a Avenida Cupecê só resistiu ao tempo, por ser um corredor em direção ao litoral, pois a princípio era apenas uma pequena estrada de terra.

Já atual nome Cidade Ademar não ter nenhum contexto histórico.  Há duas teses, a primeira é em homenagem ao político Adhemar de Barros (cujo genro era proprietário de terras adquiridas provavelmente na região), que a nomeou distrito em 1946. Outra corrente informa que a empresa Anchieta fizera ali um loteamento, e o engenheiro responsável pelo trabalho se chamava Ademar. Entretanto, ambas as hipóteses descaracterizam a identidade local, já que nenhum era possivelmente um morador da região.

Nos anos 30, o local era parada obrigatória de quem vinha de São Bernardo para São Paulo de carro de boi. A região se originou como localidade dormitório, com o crescimento populacional decorrente da explosão industrial da década de 1960. Os fazendeiros que possuíam as terras no local foram obrigados a se desfazer de suas terras, e surgiram os loteamentos, vendidos a operários que migravam de diversas partes do Brasil para São Paulo. Na década de 1970, o processo de êxodo rural contribuiu para o aumento da população na região, com novos moradores sendo atraídos pelo parcelamento dos lotes e a possibilidade de possuir sua própria terra. O êxodo rural ocorrido na década de 70, conhecido como a expulsão do homem do campo para as grandes cidades, contribuiu para o aumento populacional da região.

Dois proprietários de terras e fazendeiros fizeram parte da vida da região: João e Nilza donos da região hoje conhecida como Vila Joaniza e Americanópolis. Os Falletes eram donos das terras onde hoje são os bairros da cidade Júlia, Vila Missionária, Jd. Miriam.

Até 1996, Cidade Ademar pertencia à região Administrativa de Santo Amaro e passou a ser independente em 1997 com a criação da Subprefeitura da Cidade Ademar.

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