A violência contra a pessoa idosa muitas vezes é invisível e silenciosa. Para ampliar a conscientização sobre o tema e fortalecer as ações de prevenção, acolhimento e proteção, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) reforçou, no Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, 15 de junho, a importância da identificação precoce e do acompanhamento integrado realizado na rede municipal de saúde.
Na capital, os casos são acompanhados pelas equipes multiprofissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), dos serviços especializados e pelos Núcleos de Prevenção da Violência (NPVs), que atuam na identificação, acolhimento, notificação e construção do plano de cuidado das vítimas.
Na Unidade de Referência à Saúde do Idoso (Ursi) Jaçanã, por exemplo, o tema atravessa diferentes ações do equipamento, desde o acolhimento até o acompanhamento de idosos e familiares. Segundo a assistente social do NPV da unidade, Hellen Goulard Orlandi, o fortalecimento do vínculo e a escuta qualificada são fundamentais para que o idoso consiga reconhecer e relatar situações de violência.“A prevenção começa no acolhimento, nas avaliações multiprofissionais e no fortalecimento do vínculo com as equipes. A escuta qualificada ajuda a entender os diferentes tipos de violência e também a reconhecer os sinais”, explica.
De acordo com a profissional, muitos casos envolvem violência patrimonial e financeira, quando familiares ou terceiros retêm cartões bancários e utilizam indevidamente aposentadorias ou controlam os recursos do idoso. Também são frequentes situações de violência psicológica, negligência e abandono. “A equipe trabalha o empoderamento do idoso para que ele compreenda que determinadas situações não são normais e que ele tem direito à proteção e ao cuidado. Muitas vezes, essas violências acabam sendo naturalizadas dentro das relações familiares”, afirma.
Vigilância e notificação fortalecem proteçãoO Núcleo de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (NDANT), área técnica da Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE), da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), reforça que a notificação dos casos é uma ferramenta essencial para garantir proteção e acesso à rede de cuidado. Segundo dados do NDANT, o município de São Paulo registrou 4.324 notificações de casos violência contra pessoas idosas em 2025. As notificações permitem fortalecer políticas públicas voltadas à proteção da pessoa idosa. A SMS destaca que os profissionais de saúde têm papel fundamental na identificação dos sinais e no acolhimento humanizado das vítimas.
Mesmo quando a pessoa idosa não deseja formalizar denúncia, os serviços de saúde realizam a notificação e seguem acompanhando o caso, respeitando a autonomia e as decisões do paciente. “A notificação fortalece essa pessoa e ajuda a construir um plano de cuidado voltado para a proteção e para o rompimento do ciclo de violência”, reforça Hellen.
Como denunciar
em situações de suspeita ou confirmação de violência contra a pessoa idosa, familiares, vizinhos e profissionais podem procurar uma UBS, serviços da rede de proteção social ou realizar denúncias pelos canais oficiais: Disque 100 – Direitos Humanos l Delegacias Especializadas em proteção ao idoso de São Paulo l Polícia Militar – 190.

