Morador da Vila Campestre, no Jabaquara, Leonardo Vicente de Lima, de 42 anos, vem se destacando no tiro desportivo ao quebrar um recorde em prova oficial vinculada ao Exército Brasileiro. Atirador desportivo registrado, ele alcançou a marca de dez disparos em 25 segundos, com alvos posicionados a cinco e dez metros de distância, desempenho que garantiu a elevação de seu Certificado de Registro (CR).
A conquista ocorreu após cerca de seis meses de treinamento intensivo no Clube Headshot Brasil, na zona leste. Segundo Leonardo, a prova é considerada uma das mais exigentes da modalidade e costuma ser disputada por atletas com muitos anos de experiência. O resultado o credencia a disputar etapas da Liga Paulista de Tiro Desportivo e o coloca em condição de classificação para competições de maior porte, como o Campeonato Panamericano.
A trajetória no esporte é marcada por superação pessoal. Canhoto de origem, o atleta perdeu parte do polegar da mão esquerda em um acidente e precisou se readaptar tecnicamente. Atualmente, atira com a mão direita e utiliza o olho direito como dominante, combinação incomum na modalidade. O ingresso no tiro desportivo ocorreu há cerca de dois anos, período que coincidiu com a doença do pai, vítima de esclerose lateral amiotrófica (ELA). Para Leonardo, o incentivo paterno e da Bispa Dirce Amarantes, foi decisivo para que ele transformasse o esporte em objetivo competitivo.
Além da prática esportiva, Leonardo possui formação em Segurança e Medicina do Trabalho, área na qual atua profissionalmente, e também como voluntariado na Associação Cultural Educacional Nova Galvão, que cuida de crianças em situação de vulnerabilidade social.
Apesar do bom rendimento técnico, o atleta destaca falta de patrocínio formal como um dos principais obstáculos para disputar competições de nível nacional. Ainda sim, recebe incentivos de apoiadores locais, como Lima Cakes, Cangacity Barbearia e RaTattoo, que contribuem para a manutenção da rotina de treinos.
A regulamentação do tiro esportivo no Brasil é feita pelo Exército (DFPC), com base em leis federais e portarias, exigindo Certificado de Registro (CR), filiação a clube de tiro, laudos psicológico e de tiro, e comprovação de idoneidade (sem antecedentes criminais), além de requisitos de segurança para armazenamento; menores de 14 anos são proibidos, e de 14 a 18, precisam de autorização judicial.

