16/07/2018

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16/07/2018



Projeto Coral Encantar promove cultura e desenvolvimento social em crianças e jovens de baixa renda

Publicado em 27/02/2018

Criado em 2013, o projeto vai muito além da música na missão de dar novas perspectivas para menores entre 6 e 17 anos. Ameaçado pela perda do patrocínio, foi abraçado pelos pais das crianças e

 

Criado em 2013, o projeto vai muito além da música na missão de dar novas perspectivas para menores entre 6 e 17 anos. Ameaçado pela perda do patrocínio, foi abraçado pelos pais das crianças e luta para sobreviver.

Um projeto educativo-social que promove o desenvolvimento intelectual e a integração de crianças de baixa renda na sociedade a partir da música, dedicando atenção integral a cada participante e suas famílias. Esse é o Coral Encantar que, desde 2013, reúne crianças de escolas públicas para o aprendizado e a prática do canto e da música, desenvolvendo todo o seu potencial artístico e criativo, aumentando assim a autoconfiança e a autoestima.

Atualmente, o Encantar abraça 50 crianças, com aulas aos sábados, das 9h30 às 11h30. A partir do dia 24 de fevereiro, uma parceria com a Associação Cultural e Assistencial Nipo-Brasileira do Jabaquara (AJAB) vai permitir que as aulas continuem neste mesmo horário. Além de cantar, os alunos também têm a possibilidade de aprender a tocar instrumentos musicais como a flauta e alguns criados por eles mesmos, como os instrumentos de percussão os xilofones. O violino está nos planos dos organizadores. Mas, para isso, é preciso recurso financeiro. Até dezembro de 2017, a questão financeira estava resolvida, graças ao patrocínio de uma multinacional, que pagava as despesas do projeto por meio da Lei Rouanet. Mas o patrocínio foi suspenso para 2018, devido a mudanças estratégicas da empresa, colocando em risco a continuidade do projeto. Ao receber a notícia, pais e responsáveis dos alunos se uniram aos organizadores para não deixá-lo morrer. “O Encantar é um projeto transformador, que muda a vida das crianças, abrindo novas perspectivas para o futuro delas. A mobilização dos pais e das próprias crianças para não deixar o projeto acabar foi a maior prova disso”, diz Amélia Nakauchi, produtora cultural e idealizadora do Coral Encantar.

 A ressurreição

A mobilização dos pais ajudou a levantar contribuições financeiras e permitiu que o Encantar realizasse uma apresentação surpreendente, em 7 de dezembro, no Centro de Culturas Negras do Jabaquara. Naquele dia, os alunos apresentaram um musical completo, com cenário, diálogos e figurinos, intitulado “Contando e Cantando o Mistério da Feiurinha”, uma adaptação do livro “O Fantástico Mistério de Feiurinha”, de Pedro Bandeira.

A ideia de criar o musical partiu dos próprios alunos, surpreendendo a regente do Coral, Lissa Kawashima. Parecia algo inatingível, diante dos custos da produção: como fazer cenários e figurinos sem recursos? Os alunos deixaram o negativismo de lado e apostaram nesse desafio, criando uma onda otimista que envolveu até o esposo de Lissa, Marllon Chaves, que atua como diretor de teatro. Ele adaptou o roteiro e ajudou na direção. Com a ajuda das mães, as crianças e a Lissa criaram o figurino, a partir de itens simples e figurinos emprestados. A “união fez a força” e o espetáculo foi um sucesso. “Vimos o Centro de Culturas Negras do Jabaquara lotado, aplaudindo de pé e emocionado com a apresentação”, relembra Amélia.

Por ser municipal, a apresentação do musical no Centro Cultural não teve custo de locação do espaço, mas envolveu uma contrapartida: doação de algum item ou serviço, sendo que optaram pela doação de 2 espelhos dos camarins. Mais uma vez, as famílias dos alunos se uniram aos responsáveis pelo projeto, fazendo a doação de recursos próprios, conseguindo assim a verba necessária para a substituição.

No dia 21 de janeiro, a parceria com a AJAB permitiu mais uma apresentação do Encantar. O evento aconteceu em comemoração do Shinenkai (ano novo japonês), com músicas que já fazem parte do repertório do Coral, exclusiva para os associados da AJAB.

Projeto do bem

Os benefícios que o projeto tem oferecido às crianças podem ser notados na história de cada uma delas. Um bom exemplo é o garoto Luiz Faustino. Com 10 anos, ele foi um dos 16 selecionados para participar do programa Júnior Bake Off Brasil, do SBT, que estreou no dia 6 de janeiro.  De acordo com a mãe, Magali Faustino, os selecionadores do SBT disseram que Luiz foi escolhido por ser amigável e colaborativo, características que ela atribui à sua participação no Coral. 

“Meu filho ingressou no Encantar em 2015 com problemas emocionais, por conta da ausência do pai. Essa carência o prejudicava muito no dia a dia. Como ele sempre gostou de música, eu decidi inscrevê-lo no Encantar. Após sua entrada no Coral, ele amadureceu, adquiriu mais responsabilidade e melhorou o comportamento. O Encantar trouxe outra visão de vida ao meu filho, que hoje é focado e determinado. Essa mudança fez com que ele fosse um dos selecionados a participar do Júnior Bake Off Brasil, no SBT. As técnicas utilizadas na aula de canto foram aproveitadas diante das câmeras, no teste. Sua percepção musical e teatral cresceu e contribuiu para que ele entrasse no programa e enfrentasse as câmeras sem medo algum. O Encantar o preparou para situações inusitadas, diz Magali.

 Reabilitação pelo Encantar

O relato de Nilda Antônia do Nascimento, mãe de Gabriela, 13 anos, e Giuliana, de 9, é mais uma demonstração de como o Encantar atua positivamente na vida dos alunos. Ela conta que conheceu o projeto através de uma amiga, enquanto procurava uma atividade para a filha Giuliana, então com 6 anos. “Tive problemas durante o parto e isso prejudicou suas habilidades motoras e a fala. Por indicação médica, eu a matriculei em aulas de ginástica em um clube da Prefeitura, mas ela não desenvolvia, vivia isolada. No Encantar, pude perceber que ela conseguiu se abrir e conversar com outras crianças. Hoje minha filha lê e escreve muito bem, melhorou bastante na escola. Mudou completamente, deixando surpresos inclusive os médicos que a acompanham”, afirma Nilda.

Giuliana foi uma das melhores alunas do Projeto Encantar em 2016, para a alegria da mãe. “O coral fez e faz muito bem para a minha filha. Ela fica triste quando não pode ir às aulas, por qualquer razão. Minha filha mais velha, Gabriela, também é aluna do projeto. Era bastante tímida e hoje consegue se expressar muito bem, se impor e mostrar toda sua força e garra. Eu, como mãe, fiquei muito feliz com o progresso das minhas filhas. Quando recebe essas oportunidades, a criança tem a chance de crescer e melhorar diariamente. Seria desolador para mim e minhas filhas se o Encantar acabasse.”

 Como em família

 Monitora do projeto, Eliene de Oliveira acompanha o desenvolvimento do Coral e das crianças há 3 anos. Para ela, um dos segredos do sucesso do projeto é que todos se sentem muito bem nas aulas e nas atividades, “como se fossem todos da mesma família”. “Abrimos as portas do projeto para toda a família. Sempre que existe alguma atividade, queremos reunir pais e responsáveis pelos alunos. No início, eu recebia as crianças e conversava com elas, sempre de forma profunda e empática. Observei que elas chegavam inseguras, com medo e recheadas de problemas. Com o passar do tempo, notei uma transformação. O Encantar vai muito além da musicalização; ele existe para estimular e ver essas crianças prosperando, passando por uma metamorfose positiva”, diz ela.

Mãe de bailarina, Eliene e a filha Jéssica criaram um projeto de dança para crianças de uma comunidade na zona Norte, inspirado no Encantar. “Usei o conhecimento adquirido no Encantar, todas as técnicas de gestão, e junto com minha filha atendemos hoje 36 crianças com aulas de balé e jazz. Sei que o Coral faz a diferença na vida dos professores, alunos, na minha e de todos! Se existe uma palavra que consegue expressar tudo o que sinto por esse projeto, essa palavra é “amor”. É muito gratificante ver as crianças felizes e realizadas”, declara Eliene.

 

“Em apenas quatro anos, o Encantar já deu frutos tão importantes. É um projeto que realmente faz a diferença. Não podemos deixar que acabe”, diz Amélia. O Projeto está aberto a patrocínio de empresas nacionais e multinacionais por meio da Lei Rouanet. Para saber mais sobre ele e as formas de patrocínio acesse no facebook: projetoencantarTSA ou contate no e-mail amelia@agenciatsa.com.br.

AJAB – Associação Cultural e Assistencial Nipo-Brasileira do Jabaquara

 Rua das Nhandirobas, 388 - Parque Jabaquara

 

 

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